RECORTES
Exmo. Sr. D. Nuno Canavez
Porto.-
Distinguido senhor: Vou
tentar escrever en portugués, coisa que nâo faço nada bem por falta
de hábito... e de cualidades apropiadas. A ocasiâo o meresce. O motivo
deste correio é agradecer muito profundamente o trato recebido de V.E.
na minha estadía coa minha senhora na livraría de V.E. no sábado
pasado día 6, onde tive ocasiâo de conhecer a súa livraría e fazer
umas fotos para a revista de coleccionismo que dirixo en internete. Á
surpresa pela categoría, magnífica presença, maravilhoso conteúdo,
confortábel hospitalidade e amoroso calor irradiados pelo seu
estabelecemento, sumouse a surpresa ainda maior do trato recebido pela
V.E. a uma persoa como eu que V.E. nâo conhecía. Con certeza, tem V.E.
a rara e valiosa cualidade de ler nos olhos dos demais até o ponto de
saber quem, como a V.E., é amigo dos livros e eu o sou fai muitos anos
ainda que o meu amor por esas folhas impresas e emcadernadas non lhe
chegue con certeza a V.E. mais acima dos dedos dos pes. Com o meu
agradecemento, quero transmitirle os meus sinceiros e profundos
parabems.
A Redaçao desta revista,
a proposta deste modesto xornalista/director, decidiu incluir a súa
livraría como "tienda selección" deste mes de dezembro de
2003, que devería ter estado ja no internete e que a minha estadía no
Porto provocou un retraso considerabel. Como a revista, que tem uma
periodicidade mensual, é gratuita, suponho que ninguén poderá
sentirse aleijado.
Voltará a ter noticias
minhas cando saían as dúas páxinas que vou dedicar a sua livraría
nesta revista, que tem moitos leitores en Portugal.
Joaquin Rolland
Director
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Na Biblioteca Municipal de
Mirandela, há um importante e diversificado acervo bibliográfico
dedicado a Trás-os-Montes e Alto Douro. O mecenas é um bom amigo meu,
Nuno Canavez, alfarrabista de primeira água, natural daquele concelho. São
já uns milhares de livros, que constituem um bom banco de dados. E, volta
e meia, o Nuno Canavez, lá faz mais um pacote e oferece-os. Para que as
coisas tenham um apoio suplementar, há anos que o alfarrabista se senta
ao computador e trabalha numa bibliografia da sua região. Já publicou
dois alentados volumes e decerto não se ficará por aí. O prestígio do
bibliógrafo não é de hoje e Mário Soares, quando presidente da República,
condecorou-o. Prestigiou não sei que ordem honorífica com o nome de Nuno
Canavez. Calculo que, quando este chegou nesse dia a casa, tenha encarado
a sua magnífica colecção de encadernações e, fitando os conteúdos,
que tantas vezes repassou, lhes tenha chamado "colegas". A sua
encadernação foi aquela comenda, ou título de cavaleiro sem sela.
Depois, olhando de soslaio o diploma, comparou-o à sua carta de caçador.
Umas perdizes, umas lebres, alguns coelhos, menos trabalho lhe terá dado
calcorrear montes e valados do que participar na cerimónia da condecoração.
Bem, confesso conhecer o Nuno Canavez muito antes de ele ser quem é. E
de ele saber. Menino e moço, deambulando com meu pai por alfarrabistas,
entrava na Livraria Académica, quando a Rua dos Mártires da Liberdade se
torna mais folgada à custa do Largo de Alberto Pimentel. Entrávamos ali
e então o dono era um senhor de pequeno porte, cabelo branco, óculos, afável.
Demorávamo-nos por ali algum tempo, eles conversavam. Havia um rapazote
apessoado, que trabalhava com denodo. Uma vez, o meu pai disse-me que o
sr. Guedes da Silva, o alfarrabista, o considerava seu braço direito e
que um dia..., deixando no ar uma promessa agradável para o seu aprendiz.
Uma vez, entrei sozinho na Livraria Académica e tinham chegado dois
pacotes grandes de livros. Ao contrário do que era habitual, os livros
eram iguais e não eram os catálogos da Livraria Académica, isso sim,
mas um livro de poemas do sr. Guedes da Silva. Que era a estreia dele. Eu
sempre naquela que uma pessoa em tal idade tinha era de dar um pontapé
nos fundilhos da musa e não sustentá-la a versos. Saí decepcionado com
o sr. Guedes da Silva. Ainda agora, percorrendo as estantes da Académica,
no intervalo de uma conversa com o Nuno Canavez, lá dou com um exemplar e
salto, sem ceder a abrir o livro, como se ainda lhe receasse a versalhada.
Como sabem, Nuno Canavez recebeu a Livraria Académica do sr. Guedes da
Silva, mas teve o bom senso de não se meter a poeta. E a verdade é que
poderia entrar no Terreiro das Musas de caçadeira em riste. Preferiu
enredar-se com as bibliografias, dar saída a uma generosidade como aquela
que o leva a fazer uma inimaginável biblioteca transmontana e
alto-duriense em Mirandela. Creio que muitos ainda não deram por ela. Não
deram por ela a valer. Mas o mundo vai dando conta, claro. Nuno Canavez,
bem-humorado - e quantos abanões não vai levando da vida! -, geralmente
chega para as encomendas - mesmo que elas venham dos confins do universo.
E para a comenda, ou cavalaria, entenda-se.
É um exemplo extraordinário de mecenas, no seu concelho. E amigo dos
seus amigos e um chato do diabo, quando não gosta de alguém, ou de
alguma coisa. Transmontano, sacode o contragosto que se lhe apresentou ou
triplica-lhe o preço de um alfarrábio, não se isentando de oferecer um
mimo bibliográfico ao amigo que depois lhe entrar pelo estabelecimento,
beneficiando (sem o saber) do fuzilamento de um remorso!
No outro dia, entrei-lhe na livraria, para lhe dizer tudo isto: que me
recordava dele dos tempos em que andava pela mão de meu pai, entre a Académica
e o sr. Marinho, passando pela Moreira da Costa, esta só por causa dos
Camilos. Mas apenas lhe perguntei se ia de férias, tendo-me ele
respondido que sim, mas que não sabia quando. Cortámos na casaca de alguém
durante uns momentos e abalei porta fora, aliás sem ter comprado nada.
Creio que o deixei a preparar as montras para o próximo centenário de
José Régio. |
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| in Diário de Notícias, 2.Fevereiro.2000 A VASSOURA VOADORA, por Viale Moutinho Tudo o que quiser saber sobre Trás-os-Montes Nuno Canavez é alfarrabista no Porto, sendo ainda um transmontano
à velha maneira. Como esta coisa das raízes para ele é uma questão séria, nos
últimos anos organizou dois volumes de Subsídios para Uma Bibliografia sobre
Trás-os-Montes e Alto Douro, publicou um em 1994 e outro em 1998. E-mail: vialemoutinho@hotmail.com |
| in TERRA QUENTE, 1.Abril.99 "NOVOS SUBSÍDIOS PARA UMA BIBLIOGRAFIA SOBRE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO" - UM LIVRO IMPRESCINDÍVEL Venho hoje falar-vos, com todo o prazer,
de um livro que saiu este mês, embora tenha a data de 1998, e que é verdadeiramente
imprescindível nas bibliotecas de quem estuda e se interessa por Trás-os-Montes e Alto
Douro, o livro chama-se "Novos Subsídios para um Bibliografia sobre Trás-os-Montes
e Alto Douro" e o seu autor é Nuno Canavez. António Pimenta de Castro |
| in JORNAL DA MAIA, 25.Março.99 NOVOS SUBSÍDIOS PARA UMA BIBLIOGRAFIA SOBRE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Numa
edição da Livraria Académica acaba de ser publicado Novos Subsídios para uma
Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro, da autoria de Nuno Canavez, um
Amigo, que sabe como poucos de livros. Dono de uma das mais conceituadas livrarias
alfarrabistas do País, este novo trabalho é como um hino de amor a uma região, que tão
bem conhece. Paulo Sá Machado |
in JORNAL DE NOTÍCIAS, 18.Março.99 Copyright © 1999 Empresa do Jornal de Notícias S.A. |