sphere.gif (977 bytes) RECORTES


Do Director desta revista recebemos a seguinte mensagem em 11-12-2003

Exmo. Sr. D. Nuno Canavez

Porto.-
 
Distinguido senhor: Vou tentar escrever en portugués, coisa que nâo faço nada bem por falta de hábito... e de cualidades apropiadas. A ocasiâo o meresce. O motivo deste correio é agradecer muito profundamente o trato recebido de V.E. na minha estadía coa minha senhora na livraría de V.E. no sábado pasado día 6, onde tive ocasiâo de conhecer a súa livraría e fazer umas fotos para a revista de coleccionismo que dirixo en internete. Á surpresa pela categoría, magnífica presença, maravilhoso conteúdo, confortábel hospitalidade e amoroso calor irradiados pelo seu estabelecemento, sumouse a surpresa ainda maior do trato recebido pela V.E. a uma persoa como eu que V.E. nâo conhecía. Con certeza, tem V.E. a rara e valiosa cualidade de ler nos olhos dos demais até o ponto de saber quem, como a V.E., é amigo dos livros e eu o sou fai muitos anos ainda que o meu amor por esas folhas impresas e emcadernadas non lhe chegue con certeza a V.E. mais acima dos dedos dos pes. Com o meu agradecemento, quero  transmitirle os meus sinceiros e profundos parabems.
A Redaçao desta revista, a proposta deste modesto xornalista/director, decidiu incluir a súa livraría como "tienda selección" deste mes de dezembro de 2003, que devería ter estado ja no internete e que a minha estadía no Porto provocou un retraso considerabel. Como a revista, que tem uma periodicidade mensual, é gratuita, suponho que ninguén poderá sentirse aleijado.
Voltará a ter noticias minhas cando saían as dúas páxinas que vou dedicar a sua livraría nesta revista, que tem moitos leitores en Portugal.
 
Joaquin Rolland
Director
21 de Agosto de 2001


Viale Moutinho
O Nuno da Académica

Na Biblioteca Municipal de Mirandela, há um importante e diversificado acervo bibliográfico dedicado a Trás-os-Montes e Alto Douro. O mecenas é um bom amigo meu, Nuno Canavez, alfarrabista de primeira água, natural daquele concelho. São já uns milhares de livros, que constituem um bom banco de dados. E, volta e meia, o Nuno Canavez, lá faz mais um pacote e oferece-os. Para que as coisas tenham um apoio suplementar, há anos que o alfarrabista se senta ao computador e trabalha numa bibliografia da sua região. Já publicou dois alentados volumes e decerto não se ficará por aí. O prestígio do bibliógrafo não é de hoje e Mário Soares, quando presidente da República, condecorou-o. Prestigiou não sei que ordem honorífica com o nome de Nuno Canavez. Calculo que, quando este chegou nesse dia a casa, tenha encarado a sua magnífica colecção de encadernações e, fitando os conteúdos, que tantas vezes repassou, lhes tenha chamado "colegas". A sua encadernação foi aquela comenda, ou título de cavaleiro sem sela. Depois, olhando de soslaio o diploma, comparou-o à sua carta de caçador. Umas perdizes, umas lebres, alguns coelhos, menos trabalho lhe terá dado calcorrear montes e valados do que participar na cerimónia da condecoração.

Bem, confesso conhecer o Nuno Canavez muito antes de ele ser quem é. E de ele saber. Menino e moço, deambulando com meu pai por alfarrabistas, entrava na Livraria Académica, quando a Rua dos Mártires da Liberdade se torna mais folgada à custa do Largo de Alberto Pimentel. Entrávamos ali e então o dono era um senhor de pequeno porte, cabelo branco, óculos, afável. Demorávamo-nos por ali algum tempo, eles conversavam. Havia um rapazote apessoado, que trabalhava com denodo. Uma vez, o meu pai disse-me que o sr. Guedes da Silva, o alfarrabista, o considerava seu braço direito e que um dia..., deixando no ar uma promessa agradável para o seu aprendiz.

Uma vez, entrei sozinho na Livraria Académica e tinham chegado dois pacotes grandes de livros. Ao contrário do que era habitual, os livros eram iguais e não eram os catálogos da Livraria Académica, isso sim, mas um livro de poemas do sr. Guedes da Silva. Que era a estreia dele. Eu sempre naquela que uma pessoa em tal idade tinha era de dar um pontapé nos fundilhos da musa e não sustentá-la a versos. Saí decepcionado com o sr. Guedes da Silva. Ainda agora, percorrendo as estantes da Académica, no intervalo de uma conversa com o Nuno Canavez, lá dou com um exemplar e salto, sem ceder a abrir o livro, como se ainda lhe receasse a versalhada.

Como sabem, Nuno Canavez recebeu a Livraria Académica do sr. Guedes da Silva, mas teve o bom senso de não se meter a poeta. E a verdade é que poderia entrar no Terreiro das Musas de caçadeira em riste. Preferiu enredar-se com as bibliografias, dar saída a uma generosidade como aquela que o leva a fazer uma inimaginável biblioteca transmontana e alto-duriense em Mirandela. Creio que muitos ainda não deram por ela. Não deram por ela a valer. Mas o mundo vai dando conta, claro. Nuno Canavez, bem-humorado - e quantos abanões não vai levando da vida! -, geralmente chega para as encomendas - mesmo que elas venham dos confins do universo. E para a comenda, ou cavalaria, entenda-se.

É um exemplo extraordinário de mecenas, no seu concelho. E amigo dos seus amigos e um chato do diabo, quando não gosta de alguém, ou de alguma coisa. Transmontano, sacode o contragosto que se lhe apresentou ou triplica-lhe o preço de um alfarrábio, não se isentando de oferecer um mimo bibliográfico ao amigo que depois lhe entrar pelo estabelecimento, beneficiando (sem o saber) do fuzilamento de um remorso!

No outro dia, entrei-lhe na livraria, para lhe dizer tudo isto: que me recordava dele dos tempos em que andava pela mão de meu pai, entre a Académica e o sr. Marinho, passando pela Moreira da Costa, esta só por causa dos Camilos. Mas apenas lhe perguntei se ia de férias, tendo-me ele respondido que sim, mas que não sabia quando. Cortámos na casaca de alguém durante uns momentos e abalei porta fora, aliás sem ter comprado nada. Creio que o deixei a preparar as montras para o próximo centenário de José Régio.


in Diário de Notícias, 2.Fevereiro.2000

A VASSOURA VOADORA, por Viale Moutinho

Tudo o que quiser saber sobre Trás-os-Montes

Nuno Canavez é alfarrabista no Porto, sendo ainda um transmontano à velha maneira. Como esta coisa das raízes para ele é uma questão séria, nos últimos anos organizou dois volumes de Subsídios para Uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro, publicou um em 1994 e outro em 1998.
Entretanto, foi coleccionando materiais afins e, em várias remessas, mandou-os para uso público na biblioteca municipal da sua Mirandela natal, onde ombreiam com a biblioteca que foi de outro transmontano de estirpe, o capitão João Sarmento Pimentel. Seja, quem quiser saber transmontanamente terá de valer-se de Nuno Canavez bibliógrafo e, se entender rumar ao coração das fragas, contactar o que ali vai deixando o Nuno Canavez mecenas.
Mas que benefício poderá tirar o leitor comum do contacto com dois volumes de bibliografia? Não será isto um manancial de informações aborrecidamente eruditas? Não, senhores. Nuno Canavez junta umas notas, mania de alfarrabista, aos livros que recomenda. Seja, liberta os autores e os títulos da chateza bibliográfica e fala dos livros quase como quem está à lareira. E que mundo de tradições, de história, de ficções, de memórias, de versos, de tudo, há nestes dois tomos de bibliografia! E materiais de várias épocas a atestar que a região - que não é, afinal, região coisíssima nenhuma! - tem uma personalidade invulgar no espaço europeu. Livros e folhetos, manuscritos e jornais, seja de interesse transmontano o que Nuno Canavez colecciona e quem se quiser debruçar sobre qualquer dos temas nele tem o amparo de mestre incontornável nestas coisas de livralhada.
Para amenizar a obra, Nuno Canavez enriquece-a com imagens, arrancadas, as mais delas, de velhos postais. Vale bem a pena rumar a Mirandela para folhear algumas das mais sensacionais peças do espólio doado e instalado numa das melhores casas da cultura do nosso universozinho.
Vale a pena esta dupla romagem aos livros e a Mirandela. Já agora, abasteça-se por lá de alheiras...

Coisas do Arco da Velha tiradas da arca de Viale Moutinho 

E-mail: vialemoutinho@hotmail.com


in TERRA QUENTE, 1.Abril.99

"NOVOS SUBSÍDIOS PARA UMA BIBLIOGRAFIA SOBRE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO" - UM LIVRO IMPRESCINDÍVEL

Venho hoje falar-vos, com todo o prazer, de um livro que saiu este mês, embora tenha a data de 1998, e que é verdadeiramente imprescindível nas bibliotecas de quem estuda e se interessa por Trás-os-Montes e Alto Douro, o livro chama-se "Novos Subsídios para um Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro" e o seu autor é Nuno Canavez.
Nuno Canavez tinha já publicado em 1994 o livro "Subsídios para um Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro" (onde são descritas 2384 espécies bibliográficas) e agora com esta nova publicação dá continuidade, com novos títulos, a essa notável obra de 1994. Ao longo das suas 168 páginas, profusamente ilustradas com maravilhosos postais antigos da região transmontana e alto-duriense, os "Novos Subsídios" descrevem cerca de 1059 títulos, o que vem enriquecer extraordinariamente a recolha bibliográfica sobre a nossa região. Este livro, que está muito bem organizado, inclui ainda um índice temático e um índice toponímico. A edição deste livro é da Livraria Académica, Rua dos Mártires da Liberdade, 10, Porto. Fica assim muito mais facilitado o estudo dos investigadores uma vez que está devidamente organizada muita da bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro.
Trás-os-Montes e Alto Douro estão de parabéns por esta nova obra, tão importante e que se impunha fazer, como está de parabéns o seu autor por mais este contributo para o seu tão querido torrão natal.
     (...)

António Pimenta de Castro


in JORNAL DA MAIA, 25.Março.99

NOVOS SUBSÍDIOS PARA UMA BIBLIOGRAFIA SOBRE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

Numa edição da Livraria Académica acaba de ser publicado “Novos Subsídios para uma Bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro”, da autoria de Nuno Canavez, um Amigo, que sabe como poucos de livros. Dono de uma das mais conceituadas livrarias alfarrabistas do País, este novo trabalho é como um hino de amor a uma região, que tão bem conhece.
Com a reprodução de excelentes postais sobre a região, este trabalho de investigação está profusamente ilustrado, e com uma informação metódica e precisa, que nos dá a conhecer o conteúdo de cada obra.
Nuno Canavez bem merece o reconhecimento de todo o seu trabalho, não só de conhecedor livreiro, mas também pelo muito que tem dado às terras que o viram nascer.

Paulo Sá Machado


in JORNAL DE NOTÍCIAS, 18.Março.99

Trás-os-Montes tal qual se escreve

GERMANO SILVA
AUTOR: NUNO CANAVEZ
EDITORA: LIVRARIA ACADÉMICA
FOTOGRAFIA: ANTÓNIO AMORIM

Quando, em 1994, publicou os primeiros "Subsídios para uma bibliografia sobre Trás-os-Montes e Alto Douro", o livreiro antiquário, Nuno Canavez, já levava adiantada a tarefa de compilação de novas fichas e verbetes para um outro livro _ que é o que agora acaba de aparecer nos escaparates das livrarias , em edição da Livraria Académica, que já havia editado o volume anterior.
Neste seu novo livro, o autor dá continuidade à reunião de novas indicações e informações bibliográficas acerca da região de que é originário. E esta peculiar circunstância (a da origem do autor) acaba por pesar sobremaneira no valor e no interesse público da obra que beneficia daquela importante parcela de amor ao terrunho que Nuno Canavez nunca renegou, antes evidencia neste seu novo trabalho, no esforço que dispendeu na pesquisa que, não custa adivinhá-lo, deve ter constituído árdua tarefa de muitos anos; na paixão com que cuidou o tratamento das notas que acompanham cada uma das fichas bibliográficas; na coerência e na objectividade histórica com que elaborou cada um dos comentários; e até na ternura da dedicatória do livro que é uma sentida homenagem "à memória de todos os meus familiares, vivos e mortos".
Trata-se, há que reconhecê-lo, de um trabalho meticuloso, sério, imprescindível a historiadores, investigadores, estudantes e professores e, de um modo geral, a quantos pretendam aprofundar os seus conhecimentos acerca do passado e do presente desse vasto pedaço de Portugal que é a região de Trás-os-Montes e Alto Douro. E neste volume, como no primeiro, o autor regista até ao mais ínfimo pormenor, tudo o que é obra científica, literária ou artística; relatos de acontecimentos mais directamente ligados ao povo e à terra, como sejam exposições industriais, agrárias, artisticas ou de índole etnográfica, enfim, são pedaços da vida de todo um povo que, afinal, tem uma história para contar. É neste particular, aliás, que reside toda a importância da obra, aqui entendida pelos dois volumes já publicados, que se pode considerar como constituíndo um levantamento exaustivo, rigoroso e fiel da ampla e variada bibliografia de uma das mais importantes regiões do país, quer a olhemos do ponto de vista económico, social, etnográfico ou histórico.
As pesquisas que o autor realizou para concluir esta obra foram minuciosas e extensas mas muito proveitosas pois apontam-nos mesmo alguns factos e títulos que constituem novidades no campo histórico e arqueológico. Para a elaboração deste seu novo trabalho, Nuno Canavez utilizou todos os recursos de uma vasta cultura que lhe advem do facto de, desde os tempos da sua juventude, se ter habituado a tirar dos livros outros proveitos que não apenas aqueles que legitimamente lhe têm garantido a subsistência. Sendo, com efeito, livreiro de profissão, Nuno Canavez é, muito para além disso, uma pessoa que gosta de livros e que não é indiferente ao seu conteúdo. Só assim se compreende que saiba tirar deles o melhor proveito como no caso em apreço, colocando generosamente ao serviço da comunidade fontes históricas que resultam em proveitosas pistas para investigação. Todas estas informações criteriosamente ordenadas constituem um valioso repositório de material auxiliar para estudiosos o que dá à obra utilitário merecimento de arquivo. Este novo livro de Nuno Canavez constitue como que a segunda parte de um trabalho global que pretende ser nas mãos dos nossos investigadores e historiadores, expressivo documento auxiliar de estudo e ponto de partida para novas e mais aprofundadas investigações históricas, etnográficas, económicas ou de mero cariz social. Inteligentemente concebida e realizada, a obra está longe de se considerar concluida dada a vastidão da matéria em estudo, não obstante o seu autor ser desde há longos anos um estudioso muito esclarecido e dedicado dos temas transmontanos e durienses. Este segundo livro de Nuno Canavez é ilustrado com uma fotografia de António Amorim e beneficia da reprodução de postais ilustrados antigos que nos mostram facetas da vida de vários concelhos nos começos do presente século.

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